Carta Aberta...
“Nunca pensei um dia chegar
E te ouvir dizer:
Não é por mal
Mas vou te fazer chorar
Hoje vou te fazer chorar”
Canção Pra Você Viver Mais – Pato Fu
Uma pessoa não precisa provar nada para a outra, ainda mais quando as pessoas que o cercam dizem que o amam.
Eu, não estou tentando provar nada com esse meu silêncio, com essa minha acomodação, apenas quero me preservar do direito da fala e da escrita, e preservar os seus corações para que não ouçam ou leiam à tristeza que está em mim, e não é em relação somente a vocês (todos).
Também não quero me fazer e tampouco ser a vítima, pois não há vítimas, há escolhas. Nós escolhemos a vida que acontece ao nosso redor, e quando não escolhemos, outros escolhem e nos afetam ou ainda deixamos com que os outros escolham por nós, é um fato.
Eu escolhi o silêncio, pois sei da minha agressividade no falar e escrever muitas vezes, eu sei da minha incapacidade de ser claro como deveria ser, de poder ser realmente um porto seguro para qualquer viajante.
Jejum, como ensina nossa amada igreja, não é algo que deva ser contado, para que seja verdadeiro ninguém precisa saber. No entanto para que não confundam os acontecimentos, revelo aqui o motivo do meu silêncio. É um jejum verbal e escrito do nosso diálogo, e por conta disso estou oferecendo ao nosso DEUS este jejum, estou ofertando o meu coração que está cansado de carregar pesos que não são meus, está cansado e magoado.
Ontem mesmo estava pensando. Acho que entendi porque os Santos se tornaram “Santos”, pois se acostumaram com os seus sofrimentos. Não estou dizendo que viviam se remoendo por conta disso, mas sim, que ao passar do tempo acostumaram-se a viver com a dor dentro si, pois sabiam que a recompensa era grande no final, sabiam que se suportassem, se acostumassem a ser os incompreendidos, excluídos e tudo mais, no fim para eles o que restaria seria aquele belo lugar que todos desejamos.
Como qualquer outro Cristão Católico (com “C” maiúsculo), estou tentando seguir o meu caminho de santidade, e nesse ponto, sem vangloriar-se e sem exaltação, humildemente acredito estar no caminho certo. Claro, não sem meus problemas e minhas grandes falhas, mas esta semana, descobri a história de um santo que foi um tanto problemático em sua vida, e, no entanto demorou, mas “tomou jeito”. São Camilo de Lellis.
Se acharem que eu não tenho o direito de viver o meu momento de tristeza, risque dos vossos corações o meu nome, apaguem todas as feridas que causei em cada um de vossos corações.
Agora, se eu tiver o direito, deixe-me viver esse momento em paz, não me perturbe dizendo que compreende e entende, agora é um pouco tarde para explicações de “achismo”. Vamos viver o momento cada qual na sua escolha e depois nós reataremos novamente, é um mandamento, é assim que deve ser; 70 vezes 7.
Não pensem que é algo recente, e sim, algo que vem se arrastando há algum tempo, foi só agora que não pude me conter e acabei me transbordando nesse silêncio. Silêncio este que pode ser perturbador para aqueles que não compreendem quão grandes é tempo de crescimento quando silenciamos em nós mesmos.
Para encerrar essa carta, fique claro que nunca neguei um abraço, nunca neguei atenção e ouvidos para aqueles que precisavam e para aqueles que nunca me buscaram. Sempre estive pronto para ouvir e tentar compreender, confesso que em determinados momentos até pude ter ficado bravo ou algo assim, mas, no entanto sempre procurei ouvir de coração aberto.
Como disse na evangelização. Não é porque tenho cara de bravo, irritado, chato, ou qualquer coisa assim, significa que eu seja justamente assim, existe a possibilidades de serem outras coisas também. Se for mentira o que digo, dou permissão para que me reprovem publicamente, do contrário não pensem coisas por mim.